TributárioEquipe Plus Inteligência Contábil03 de junho de 20255 min de leitura

Lucro Presumido ou Simples Nacional: qual vale mais a pena?

A diferença entre Lucro Presumido e Simples Nacional pode representar milhares de reais por ano. Entenda como cada regime funciona e qual costuma ser mais vantajoso para cada tipo de negócio.

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Simples Nacional ou Lucro Presumido?

Escolher o regime tributário errado é um dos erros mais caros que uma empresa pode cometer. Simples Nacional e Lucro Presumido são os dois mais utilizados por pequenas e médias empresas — e a diferença entre eles pode ser significativa dependendo do seu perfil.

Como funciona o Simples Nacional

O Simples Nacional unifica o pagamento de vários impostos em uma única guia mensal (o DAS) e usa alíquotas progressivas baseadas no faturamento acumulado dos últimos 12 meses.

As alíquotas partem de 4% (comércio) e 6% (serviços) para faturamentos baixos, e sobem conforme o negócio cresce — podendo chegar a mais de 19% para prestadores de serviço no teto do regime.

Vantagens do Simples:

  • Pagamento unificado, menos burocracia
  • Alíquotas menores para faturamentos baixos
  • Menos obrigações acessórias
  • Simplificação da folha de pagamento (CPP já incluso)

Desvantagens:

  • Alíquota sobe com o crescimento
  • Algumas atividades pagam mais no Simples do que no Presumido
  • Empresas com muitas despesas dedutíveis não aproveitam o benefício

Como funciona o Lucro Presumido

No Lucro Presumido, a Receita Federal "presume" qual é o lucro da empresa com base em percentuais fixos sobre o faturamento — e você paga IRPJ e CSLL sobre esse lucro presumido, mais PIS e COFINS em separado.

Os percentuais de presunção variam por atividade:

  • Comércio: 8% de presunção para IRPJ
  • Serviços em geral: 32% de presunção para IRPJ
  • Revenda de combustíveis: 1,6%

Além de IRPJ e CSLL, você paga PIS (0,65%) e COFINS (3%) sobre o faturamento bruto, e ISS ou ICMS separadamente.

Vantagens do Lucro Presumido:

  • Pode ser mais barato para margens de lucro muito altas
  • Melhor para empresas que ultrapassaram o teto do Simples
  • Mais previsível — a base de cálculo é fixa

Desvantagens:

  • Mais obrigações acessórias (SPED, EFD, DCTF, etc.)
  • Guias separadas para cada imposto
  • Exige contabilidade mais complexa

Comparativo prático: quem paga menos?

Vamos usar um exemplo real: uma empresa de serviços com faturamento de R$ 30 mil/mês (R$ 360 mil/ano).

No Simples Nacional (Anexo III — serviços):

  • Alíquota efetiva aproximada: 11,2%
  • Imposto mensal: R$ 3.360

No Lucro Presumido (serviços):

  • IRPJ: 15% sobre 32% do faturamento = 4,8% → R$ 1.440
  • CSLL: 9% sobre 32% = 2,88% → R$ 864
  • PIS: 0,65% → R$ 195
  • COFINS: 3% → R$ 900
  • ISS: 2% a 5% (depende do município) → R$ 600 a R$ 1.500
  • Total aproximado: R$ 4.000 a R$ 4.900

Nesse caso, o Simples Nacional seria mais vantajoso.

Mas o cenário muda dependendo de fatores como:

  • Quantidade de funcionários na folha
  • Atividade específica (anexo do Simples)
  • Margem de lucro real
  • ISS do município

Não existe resposta universal. A comparação precisa ser feita com os números reais da sua empresa. Uma simulação errada pode custar caro.

Quando o Lucro Presumido costuma vencer

O Lucro Presumido tende a ser mais vantajoso quando:

  • O faturamento está próximo ou acima de R$ 4,8 milhões/ano (teto do Simples)
  • A empresa tem margens de lucro muito altas e poucos custos operacionais
  • A atividade está no Anexo V do Simples (alíquotas mais altas, como TI e publicidade) com folha de pagamento baixa
  • O ISS do município é muito baixo

Quando o Simples Nacional costuma vencer

O Simples tende a ser mais vantajoso quando:

  • O faturamento é menor que R$ 1,8 milhão/ano
  • A empresa tem folha de pagamento representativa (o CPP está incluso no Simples)
  • A atividade é comércio ou prestação de serviços comuns
  • O dono valoriza simplicidade e menos burocracia

Como fazer a escolha certa

  1. Levante o faturamento médio mensal dos últimos 12 meses
  2. Identifique o anexo do Simples da sua atividade
  3. Calcule o imposto nos dois cenários com um contador
  4. Considere os custos indiretos: no Presumido, você paga mais pelo serviço contábil
  5. Simule com margem de crescimento: o que é melhor hoje pode mudar em 2 anos

A opção pelo regime tributário é feita em janeiro de cada ano — e a decisão precisa ser tomada antes disso, com tempo para simular corretamente.

Conclusão

A diferença entre Simples Nacional e Lucro Presumido não é uma questão de preferência — é uma questão de matemática. Feita a simulação correta, fica claro qual regime poupa mais dinheiro para o seu negócio específico.

Quer saber qual regime é mais vantajoso para a sua empresa? A Plus faz essa simulação gratuitamente, com os números reais do seu negócio.

Quais dados comparar antes de escolher o regime?

A comparação entre Lucro Presumido e Simples Nacional exige mais do que olhar uma tabela de alíquotas. É preciso considerar atividade, faturamento acumulado, margem, folha, pró-labore, créditos possíveis, retenções e tipo de cliente.

Empresas de serviços, por exemplo, podem ter cenários muito diferentes dependendo do anexo do Simples, do Fator R e da margem real. Já no Lucro Presumido, a base de cálculo é presumida, o que pode ser vantajoso ou não conforme o resultado efetivo.

Dados mínimos para simular:

  • faturamento dos últimos 12 meses;
  • previsão de faturamento dos próximos meses;
  • folha de pagamento e pró-labore;
  • margem de lucro estimada;
  • atividades e CNAEs utilizados;
  • impostos retidos nas notas;
  • custo administrativo de cada regime.

Se você ainda está começando, veja Quanto custa abrir empresa no Brasil em 2026. Para entender a base do regime simplificado, leia Simples Nacional: o que é, como funciona e quem pode optar.

Quando revisar a escolha tributária?

A revisão não deve acontecer só quando o imposto parece alto. Mudança de faturamento, contratação de equipe, alteração de atividade, novos contratos e aumento de margem podem mudar completamente a melhor opção.

Por isso, a escolha tributária precisa ser revisitada periodicamente. A Plus pode apoiar essa simulação com base nos números reais da empresa, evitando decisões por achismo ou por regra genérica.

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